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Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO, desde dezembro de 2019, estes mascarados transmontanos saem às ruas para “chocalhar” as mulheres com as campanas que trazem à cintura e celebrar os ‘contratos casamenteiros’ em plena noite de Domingo Gordo. A cor é relevante na sua aparência, coberta da cabeça aos pés por franjas de lã tricolores (amarelo, verde e vermelho).
Dois pares representam cenas da vida real, por detrás de máscaras de plástico pintadas. O casal de velhos angaria dádivas para o altar de Nossa Senhora e assegura a preservação da ordem pública sob influência do cajado na mão, enquanto o casal de novos se entrega a apelos mais carnais. Nesta “história” entra também o Soldado que tem uma difícil tarefa nesta festa pagã.
Em Vale do Porco, a figura do velho, outrora chamado de Diabo, protagoniza todos os rituais da Festa de Natal. No dia 24 de dezembro, veste-se com um fato de serapilheira, cobre-se com uma máscara de madeira pintada de vermelho e com chifres demoníacos. O barulho dos chocalhos, à cintura, ajuda a pedir cepo para acender a fogueira na praça central da aldeia.
Reza a lenda que na noite anterior a 17 de junho, dia da Festa de Santa Marina, junto às muralhas que defendiam a cidade, as tropas cristãs cobriram-se de musgo para surpreender os inimigos muçulmanos pela manhã, recuperando assim a fortaleza. A recriação deste feito é considerada uma tradição de interesse turístico regional (1998) e nacional (2010).
A saída destes Máscaros para as ruas da aldeia, inicialmente realizada em honra de Santo Estevão, no Solstício de Inverno, acontece agora no Carnaval. Com máscaras moldadas, a canivete, na madeira de castanheiro ou em folha-de-flandres, estas figuras lançam a confusão à saída da missa e vão à caça de enchidos, tal como a sua própria natureza, entre o divino e o humano.
Exímios saltadores que com a ajuda de uma vara giram no ar e fazem soar os seus chocalhos, os Sidros distinguem-se pelos “cucuruchos” na cabeça, feitos de pele e lã de ovelha que se prolongam até à cintura, complementando o fato com uma cauda de raposa que serve para saudar as moças. Têm como missão anunciar, realizar e programar as Comédias, representações teatrais que se repetem no domingo seguinte ao dos Reis.
Sarracín de Aliste recebe no primeiro dia de cada ano a mais completa das procissões pagãs, as Obisparras, e a única em que aparece o Bispo, o Obispo, que dá o nome à Procissão. O grupo Los Diablos é o mais importante. Reza a lenda que estes viviam nas montanhas e só desciam ao povoado no Dia de Ano Novo, para pedir. O enredo envolve ainda uma dramática história de amor.
Com máscaras distintas, representativas das diversas paróquias, os Folions anunciam o desfile dos Domingos de Carnaval, ao som das ruidosas pancadas nos bombos de percussão. Os Boteiros, seus companheiros, desfilam coroados com uma espécie de cornadura floral comprida numa alusão aos rituais antigos. Este é um dos mais originais e tradicionais Entrudos da Galiza.
Elevadas a Festas de Interesse Nacional em Espanha, as Jarramplas de janeiro trocam o arremesso do tomate, famoso noutras partes do país, pelo do nabo. O alvo é sempre e só um mascarado (de cabeça coberta por fibra de vidro pintada, cornos ostensivos e fitas coloridas pelo corpo inteiro), que representa um ladrão de gado à mercê da justiça da população.
É notória a semelhança com os povos nórdicos que, no século IX, se fixaram na região da Gândara (vasta sub-região entre as Gafanhas da ria de Aveiro e os campos do Baixo Mondego). De saia e máscara munida de peles e cornos de animais, estes caretos têm uma configuração híbrida, entre o ser humano e o animal, servindo-se da máscara – Campina – para adquirirem poderes.
A festividade envolve quatro personagens e o Farandulo tem o papel principal na celebração da festa de Solstício de Inverno em Tó, aparecendo nas ruas da aldeia no dia de Ano Novo. Juntamente com a Sécia, o Moço e o Mordomo, o Farandulo brinda a população com encenações e perseguições amorosas que fazem as delícias de quem assiste.
No Domingo Gordo e terça feira de Carnaval, assustam os habitantes da terra. Carregados de simbolismo histórico e crítica social, a sua designação tem origem no cardar da lã, só que estes “cardam” pessoas, sobretudo raparigas, em vez de ovelhas. A roupa interior feminina serve de vestimenta a este grupo de homens com máscaras sofisticadas e com um perfume que é um mistério.
Segundo uma lenda antiga, depois de ter tentado Nossa Senhora, o demónio terá sido castigado a pedir esmola para Ela e para o Seu Filho. Essa lenda ressoa ainda hoje, entre o Natal e o Novo Ano, num peditório feito por esta figura de referências zoomórficas (simultaneamente solidária, mágica e diabólica) por toda a aldeia que também é um apelo à fertilidade.

Por esta altura, foliões dos quatro cantos da Península Ibérica davam novo colorido à Praça do Império, em Belém, contagiando tudo e todos com a sua euforia, na pele de seres de um mundo antigo de festas pagãs. Contamos aqui a história de algumas destas figuras da cultura popular portuguesa e espanhola que anualmente participam no Festival Internacional da Máscara Ibérica, trazendo à cidade a riqueza do seu património cultural. Este ano não não há desfile na rua, mas não é por isso que deixamos de cumprir o ritual e portanto fica o convite para acompanhar este "cortejo" de mascarados desenhados pela ilustradora Maria Bárbara Grandiboul.

 

 

 

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