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Um festival de “sabor agridoce, com apontamentos picantes”

Entre 22 e 25 de Abril o Festival Política regressa ao Cinema São Jorge, tendo as Fronteiras como tema central desta edição. Falámos com Bárbara Rosa e Rui Oliveira Marques, os criadores, sobre a escolha do tema, a programação e as novidades deste festival de "sabor agridoce, com apontamentos picantes".

Se mais motivos faltassem, a pandemia que atravessamos trouxe o tema das fronteiras para o debate. Virão daí coisas positivas ou negativas?

Bárbara Rosa: O tema “Fronteiras” foi escolhido tendo em mente a perspetiva de barreira que elas representam. A programação propõe um incitamento à reflexão sobre os vários muros – materiais e mentais- que existem nas relações institucionais, entre os Estados e os cidadãos, bem como na esfera interpessoal. Pretende-se, uma vez mais, contribuir para o necessário combate ao estigma e à discriminação social, com uma amplitude que vai desde as realidades dos migrantes às das pessoas com incapacidades, passando pelas temáticas de género, raciais, de orientação sexual e até religiosas. É certo que a pandemia teve o efeito geral de criar um novo olhar sobre a imposição de barreiras, limitados que estamos ao confinamento em nossas casas e ao distanciamento involuntário em relação aos outros. A programação também tem em consideração esta nova forma de (sobre)viver.

Quem consome o Festival Política sabe que o seu sabor é agridoce, com apontamentos picantes. Esta edição não será exceção.

 

A principal novidade desta edição é a atribuição de bolsas para jovens artistas, criadores e ativistas, nas áreas da literatura, música, artes performativas, artes plásticas, vídeo ou de formação (workshop), cujas obras serão apresentadas no Festival. A ideia deste incentivo à criação artística também decorre do impacto da pandemia no setor cultural? Quem são os vencedores e quais as obras selecionadas deste projeto?

Bárbara Rosa: A principal motivação da criação das bolsas é intemporal, uma vez que tem por objetivo fomentar e apoiar a criação artística e a intervenção cívica de jovens artistas, criadores e ativistas residentes no país. A decisão foi tomada muito antes de imaginarmos que acabaríamos mergulhados nesta calamidade pluridimensional. As bolsas contam com o apoio do Instituto Português da Juventude e Desporto que não hesitou em amparar a nossa ideia.

A seleção de duas obras (correspondente ao número de bolsas disponíveis) não foi fácil pois recebemos várias candidaturas de elevada qualidade conceptual e de jovens com currículos muito interessantes. Os dois vencedores são da área da música e de universos artísticos distintos.

O Pedro Ruela Berga vai apresentar um showcase maioritariamente experimental que conduz o espectador a um diálogo interior de confronto consigo próprio e com o exterior/comunidade, explorando as fronteiras de várias dimensões humanas. A multiartista Puta da Silva vai interpelar-nos sobre as várias fronteiras (físicas, sociais, políticas, institucionais) que dificultam ou impedem a naturalização, emancipação, sociabilização, autonomia e a gestão da vida das pessoas transsexuais, travestis e transgéneros imigrantes e racializadas. O espetáculo vai ser uma experiência de realidade virtual, através do uso de óculos de RV, proporcionando uma experiência imersiva na realidade retratada pela artista.

 

A edição deste ano será parcialmente presencial e parcialmente online. Porquê este modelo, como está a programação dividida e quais os principais destaques?

Rui Oliveira Marques: A edição deste ano conta com cerca de 20 atividades em quatro dias. A maioria da programação decorre no Cinema São Jorge. Os artistas estão com vontade de voltar a encontrar o público e o público, depois de um novo confinamento, também quer voltar a usufruir cultura em sala. Mesmo assim, optamos por passar algumas atividades para formato digital de forma a que se pudessem realizar. É o caso dos workshops que pela primeira vez irão decorrer online. Teremos uma sessão dedicada à participação cidadã na democracia e outro de escrita criativa que tem por base a Enciclopédia dos Migrantes, livro que reúne 400 cartas. Este livro também dará origem ao espetáculo "Foguete de Emergência", que iremos apresentar a 25 de abril, às 11h no São Jorge. Também irá decorrer online o Cara a Cara com Deputados, encontro entre cidadãos e deputados representantes dos partidos eleitos para a Assembleia da República. As contingências da covid-19 não nos permitem realizar estas atividades presencialmente, dado o número de participantes. Nas atividades presenciais, destaco o espetáculo do humorista Carlos Pereira sobre racismo e direitos humanos, o solo de André Murraças dedicado ao tema do festival, Fronteiras, e o espetáculo de Valério Romão e José Anjos “Homens que são como fronteiras invadidas”, uma reflexão sobre os limites que a pandemia nos veio impôr a título pessoal. Trata-se de espetáculos criados propositadamente para o Festival Política 2021. Temos também uma programação de cinema, com 18 filmes que plasmam realidades tão diferentes, como as fronteiras da cidade de Lisboa até aos conflitos sociais que atravessam a Europa, como a ascensão dos nacionalismos e as migrações.

Estimular a reflexão e envolver a sociedade civil no exercício da cidadania e na defesa dos direitos humanos através da cultura está na génese do Festival Política. A integração deste festival no programa Abril em Lisboa é, portanto, um casamento feliz?

Rui Oliveira Marques: Acreditamos que sim. Para todos os participantes do festival, desde a organização até aos artistas, ativistas e cidadãos, é muito importante trazer a reflexão sobre os valores de Abril para os dias de hoje e perceber que a luta pela liberdade e direitos está incompleta. Olhamos para a cidade, para o país e para o mundo e percebemos que ainda há muito por fazer.

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